21 fevereiro 2014


Não procures senão o silêncio fechado,
recolhido e morno,
e começarás sentindo uma frescura que desce de cima
e te há-de começar a encher...
(...)
Jorge de Sena


06 fevereiro 2014

Eles não sabem, nem sonham, que o sonho comanda a vida.

05 fevereiro 2014

Se fosse possível cruzar o homem com o gato, melhoraria o homem, mas pioraria o gato.
Mark Twain

26 janeiro 2014

16 janeiro 2014


Paira em tudo um silêncio já noturno,
Que não resulta apenas de canções,
Dos ruídos extintos, mas também,
das cores que falecem, num soturno,
escuro tom.
Teixeira de Pascoaes

06 janeiro 2014


Love looks not with the eyes, but with the mind; And therefore is winged Cupid painted blind.
(A Midsummer Night’s Dream. Act i. Sc. 1.)
The course of true love never did run smooth.

05 janeiro 2014


Queria de ti um país de bondade e de bruma...
Queria de ti o mar de uma rosa de espuma...

Mário Cesariny

29 dezembro 2013

28 dezembro 2013

We should meet in another life, we should meet in air, Me and you.

21 dezembro 2013

... Eu também posso fazer contos de fadas - mas só uma vez, é claro...

19 dezembro 2013

Escrever é esquecer. A literatura é a maneira mais agradável de ignorar a vida.

15 dezembro 2013


Cada novo objecto, bem contemplado, abre um novo órgão dentro de nós.

Goethe

10 dezembro 2013

Escondo-me na minha flor,
Para que, murchando em teu Vaso,
tu, insciente, me procures -
Quase uma solidão.

Emily Dickinson

09 dezembro 2013

02 dezembro 2013


Na folha bailada
Levada
No vento,
Vai meu pensamento…

29 novembro 2013

Até as imagens me são inúteis porque contemplo tudo.
Cristovam Pavia . no poema "Requiem"

28 novembro 2013

Penso Dezembro quando canto Abril. 
António Luís Moita . no poema "Rumor"

19 novembro 2013



Ao acordar lembrei-me de Peter Doyle. Deviam ser seis horas, na austrália em frente um pássaro cantava. Não vou jurar que cantasse em inglês, só os pássaros de Virgínia Woolf têm privilégios assim, mas o júbilo do meu pisco trouxe-me à memória a cotovia dos prados americanos e o rosto friorento do jovem irlandês, que naquele inverno Walt Whitman amou, sentado ao fundo da taberna, esfregando as mãos, junto ao calor do fogão.

Abri a janela, na escassa claridade que se aproximava procurei, em vão, a delícia sem mácula que me despertara. Mas de repente, uma, duas, três vezes, ouviram-se uns trinadinhos molhados, a indicar-me um sopro de penas que mal se distinguia da folhagem. Então, invocando antiquíssimas metáforas do canto, peguei no livro venerando que tinha à mão e, de estrofe em estrofe, fui abrindo as represas às águas do ser, como quem se prepara para voar.

Eugénio de Andrade . “Walt Whitman e os Pássaros”

02 novembro 2013

Às vezes entra-se em casa com o outono preso por um fio.

30 outubro 2013

17 outubro 2013


Nós somos o que fazemos. O que não se faz não existe. Portanto, só existimos nos dias em que fazemos. Nos dias em que não fazemos apenas duramos.

14 outubro 2013

Gostaria de dizer que os pássaros emanam das árvores
mas deixo essa forma de dizer ao romancista 
é complicada e não se dá bem na poesia 
não foi ainda isolada da filosofia

Ruy Belo

12 outubro 2013

Em todos os jardins hei-de florir, 
Em todos beberei a lua cheia, 
Quando enfim no meu fim eu possuir
Todas as praias onde o mar ondeia.
Um dia serei eu o mar e a areia,
A tudo quanto existe me hei-de unir,
(...)
Sophia de Mello Breyner

06 outubro 2013


Deito-me tarde
Espero por uma espécie de silêncio
Que nunca chega cedo
Espero a atenção a concentração da hora tardia
Ardente e nua
É então que os espelhos acendem o seu segundo brilho
É então que se vê o desenho do vazio
É então que se vê subitamente
A nossa própria mão poisada sobre a mesa

É então que se vê passar o silêncio

Navegação antiquíssima e solene

Sophia Mello Breyner

03 outubro 2013

Eu queria ter o tempo e o sossego suficientes para não pensar em coisa nenhuma, para nem me sentir viver, para só saber de mim nos olhos dos outros, reflectido.

26 setembro 2013

(...) repara no silêncio, é quase branco. Há muito tempo que ninguém se demorou a contemplar os breves instrumentos do verão.
Eugénio de Andrade